Arquivo de fogueiras - Caminho dos Santos – História, Devoção e Milagres https://lojasagrada.online/tag/fogueiras/ Um espaço criado para quem deseja Santos católicos, suas histórias de fé, milagres extraordinários e o poder da devoção que transforma vidas. Tue, 24 Jun 2025 14:18:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 https://lojasagrada.online/wp-content/uploads/2025/04/cropped-Loja-Sagrada-Logo-a-1-2-32x32.png Arquivo de fogueiras - Caminho dos Santos – História, Devoção e Milagres https://lojasagrada.online/tag/fogueiras/ 32 32 243999979 São João Batista: O Profeta do Deserto e a Luz que Anuncia Cristo https://lojasagrada.online/sao-joao-batista-a-luz-que-anuncia-cristo/ https://lojasagrada.online/sao-joao-batista-a-luz-que-anuncia-cristo/#respond Tue, 24 Jun 2025 14:18:34 +0000 https://lojasagrada.online/?p=1110 🙏 A Voz que Clama no Deserto e Prepara o Caminho São João Batista, celebrado anualmente em 24 de junho, é uma figura de imensa relevância na fé católica, reverenciado como o último dos profetas do Antigo Testamento e o precursor direto de Jesus Cristo. Sua vida e missão, marcadas pela austeridade e pela coragem, foram …

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🙏 A Voz que Clama no Deserto e Prepara o Caminho

São João Batista, celebrado anualmente em 24 de junho, é uma figura de imensa relevância na fé católica, reverenciado como o último dos profetas do Antigo Testamento e o precursor direto de Jesus Cristo. Sua vida e missão, marcadas pela austeridade e pela coragem, foram dedicadas a preparar os corações dos homens para a chegada do Messias.

Ele não apenas anunciou a vinda do Salvador, mas também apontou para Ele, cumprindo as profecias que falavam de uma voz clamando no deserto para endireitar os caminhos do Senhor.

 

No Brasil, a celebração de São João Batista transcende o âmbito puramente religioso, misturando-se com as vibrantes festas juninas. Fogueiras, danças, comidas típicas e cantorias transformam o mês de junho em um período de grande alegria e fé popular, especialmente nas regiões Nordeste, onde a devoção ao santo é profundamente enraizada na cultura local. Essa fusão de fé e folclore reflete a capacidade de São João Batista de unir as pessoas em torno de valores como acolhimento, colheita, luz e renovação espiritual.

 

Este artigo aprofundará a história, a espiritualidade, o simbolismo e as práticas devocionais associadas a São João Batista. Abordaremos sua linhagem, seu nascimento milagroso, sua vida ascética no deserto, sua missão profética de batismo e conversão, e seu martírio, que o consagrou como um modelo de fidelidade à verdade. Além disso, exploraremos a rica simbologia das festas juninas e a devoção popular que o cerca, oferecendo uma compreensão completa de sua importância para a Igreja e para os fiéis.


📖 Quem Foi São João Batista? Um Destino Traçado pela Providência Divina

Linhagem e Nascimento Miraculoso: O Anúncio de uma Nova Era

A história de São João Batista começa com seus pais, Zacarias e Isabel, ambos de idade avançada e considerados justos diante de Deus, mas que não tinham filhos. Isabel era prima de Maria, a mãe de Jesus, o que estabelece uma conexão familiar profunda entre os dois precursores da Nova Aliança. A narrativa de seu nascimento, registrada no Evangelho de Lucas (Lc 1,5-25; 57-80), é permeada por elementos miraculosos que sublinham seu papel singular no plano divino da salvação.

 

O anúncio do nascimento de João foi feito pelo anjo Gabriel a Zacarias, enquanto este servia como sacerdote no Templo de Jerusalém. Gabriel revelou que Isabel conceberia um filho que seria “grande diante do Senhor”, “cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe” e que “converteria muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus” (Lc 1,15-17). A incredulidade de Zacarias diante de tal anúncio resultou em sua mudez temporária, que só seria desfeita no dia do nascimento de João, quando ele confirmou o nome do filho, conforme instruído pelo anjo.

 

Um dos momentos mais emblemáticos que antecedem o nascimento de João é o encontro de Maria, já grávida de Jesus, com Isabel. Ao ouvir a saudação de Maria, João, ainda no ventre de sua mãe, “estremeceu de alegria” (Lc 1,41). Este evento, conhecido como a Visitação, é interpretado como o primeiro reconhecimento de Jesus por João, mesmo antes de ambos virem à luz, e um sinal da plenitude do Espírito Santo que já habitava no precursor. Este episódio não só reforça a santidade de João desde a concepção, mas também prefigura sua missão de apontar para Cristo.

 

O nascimento de João, portanto, não foi um evento comum, mas um milagre que rompeu com as expectativas humanas e confirmou a intervenção divina. Ele nasceu em Betsaida, uma cidade na Galileia, e seu nome, que significa “Deus é gracioso”, já indicava a graça que ele traria ao mundo ao preparar o caminho para a manifestação da graça plena em Jesus Cristo. Sua infância e juventude, embora pouco detalhadas nas escrituras, foram marcadas por uma preparação singular para a missão que lhe seria confiada.

Vida no Deserto: A Formação de um Profeta

A vida de São João Batista no deserto da Judeia é um testemunho de sua dedicação inabalável a Deus e de sua preparação para a missão profética. Longe das cidades e da vida social, João adotou um estilo de vida ascético, vestindo-se com peles de camelo e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3,4). Essa escolha de vida não era meramente uma excentricidade, mas uma prática comum entre alguns grupos religiosos da época, como os essênios, que buscavam a pureza espiritual através do isolamento e da disciplina rigorosa. Embora não haja evidências diretas de que João Batista tenha pertencido a essa seita, seu modo de vida compartilhava semelhanças com as comunidades do deserto que esperavam ardentemente a vinda do Messias.

 

O deserto, para a tradição judaica, não era apenas um lugar físico, mas um espaço simbólico de purificação, encontro com Deus e renovação da aliança. Foi no deserto que Israel foi forjado como nação, e era para lá que os profetas muitas vezes se retiravam para receber a palavra divina. A presença de João no deserto, portanto, ressoava profundamente com as expectativas messiânicas da época. Em um período de grande efervescência religiosa e política na Judeia, sob o domínio romano e com diversas correntes judaicas (fariseus, saduceus, essênios, zelotes) interpretando as escrituras e a chegada do Messias de maneiras distintas, a voz de João no deserto se destacava como um chamado urgente à conversão e ao arrependimento.

 

Sua mensagem era direta e poderosa: “Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3,2). Essa proclamação não era apenas um convite à mudança de comportamento individual, mas um apelo à nação de Israel para se preparar para a iminente intervenção divina na história. João, com sua autoridade moral e sua vida exemplar, atraía multidões de todas as camadas sociais, que vinham ao deserto para ouvi-lo e serem batizadas por ele no rio Jordão. O batismo de João, embora não fosse um sacramento como o batismo cristão, era um sinal visível de arrependimento e de um compromisso com uma nova vida, preparando o terreno espiritual para a chegada daquele que batizaria com o Espírito Santo e com fogo.


✝ Missão: O Precursor de Cristo e o Batismo que Revela o Salvador

O Chamado à Conversão: Uma Voz Profética para a Humanidade

A missão de São João Batista foi singular e decisiva: preparar o caminho para a vinda do Messias. Sua pregação não se limitava a um grupo específico, mas era dirigida a todos que o procuravam no deserto, desde os publicanos e soldados até os fariseus e saduceus. Ele os exortava a produzir frutos dignos de arrependimento, alertando que a mera descendência de Abraão não seria suficiente para escapar do juízo divino (Lc 3,7-14). João enfatizava a necessidade de uma mudança interior genuína, que se manifestasse em ações concretas de justiça e caridade. Sua mensagem era um eco das profecias do Antigo Testamento, que anunciavam a chegada de um tempo de renovação e a necessidade de um povo preparado para receber o Senhor.

 

Ele se apresentava como a “voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3,3; Is 40,3). Essa identificação com a profecia de Isaías reforçava sua autoridade e a urgência de sua mensagem. João não buscava glória para si, mas humildemente apontava para Aquele que viria depois dele, afirmando: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11). Essa distinção clara entre seu batismo de água e o batismo vindouro de Jesus com o Espírito Santo ressaltava a superioridade do Messias e a natureza transformadora de sua obra.

O Batismo de Jesus: O Encontro da Humanidade com a Divindade

O ponto culminante da missão de João Batista foi o batismo de Jesus no rio Jordão. Este evento, narrado pelos quatro evangelistas (Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,29-34), é de fundamental importância para a fé cristã. João, inicialmente, hesitou em batizar Jesus, reconhecendo a santidade e a superioridade de Cristo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3,14). No entanto, Jesus insistiu, explicando que era necessário “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15). Este ato de humildade de Jesus, ao se submeter ao batismo de João, não era para purificação de pecados, pois Ele era sem pecado, mas para se solidarizar com a humanidade pecadora e para inaugurar publicamente sua missão messiânica.

 

O batismo de Jesus foi acompanhado de manifestações divinas que confirmaram sua identidade como Filho de Deus. O céu se abriu, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba, e uma voz do céu proclamou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17). Este momento teofânico revelou a Santíssima Trindade – o Pai falando do céu, o Filho sendo batizado, e o Espírito Santo descendo – e marcou o início do ministério público de Jesus. Para João Batista, foi a confirmação definitiva de que sua missão havia sido cumprida: ele havia apontado para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), e agora, o Messias estava entre eles, pronto para iniciar sua obra de salvação.


🗓 Celebrações e Simbologia de 24 de Junho: Fé, Cultura e Tradição

Festa Religiosa e Cultural: A Fusão da Devoção com as Festas Juninas

O dia 24 de junho, data do nascimento de São João Batista, é uma das celebrações mais aguardadas no calendário litúrgico e cultural, especialmente no Brasil. A festa religiosa se entrelaça de forma única com as tradicionais festas juninas, criando um sincretismo cultural que reflete a rica tapeçaria da fé popular. Essas festividades, que se estendem por todo o mês de junho, são marcadas por uma atmosfera de alegria, confraternização e profunda devoção. Cidades como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) são mundialmente conhecidas por suas grandiosas celebrações juninas, que atraem milhões de pessoas, unindo o fervor religioso com a riqueza da cultura nordestina.

 

As festas juninas são um verdadeiro espetáculo de cores, sons e sabores. Quadrilhas, forró, fogueiras, balões (embora estes últimos sejam cada vez mais restritos por questões de segurança), bandeirinhas coloridas e uma vasta culinária típica à base de milho, amendoim e coco, como pamonha, canjica, bolo de milho e quentão, são elementos que compõem esse cenário festivo. Essa celebração popular, embora tenha raízes em rituais pagãos de celebração da colheita e do solstício de verão, foi ressignificada pela Igreja Católica para honrar São João Batista, Santo Antônio e São Pedro, tornando-se um momento de agradecimento pelas colheitas e de renovação da fé.

Simbolismo do Fogo: A Luz que Anuncia o Salvador

Um dos elementos mais emblemáticos das festas juninas é a fogueira, que possui um profundo simbolismo ligado a São João Batista. A tradição conta que Isabel e Maria combinaram de acender uma fogueira no dia do nascimento de João para que Maria soubesse que o primo de Jesus havia nascido. Assim, a fogueira tornou-se um sinal de alegria e de anúncio de uma boa nova. Na fé católica, a fogueira de São João representa a “chama que arde no deserto”, uma alusão à própria vida de João Batista, que foi uma luz a guiar as pessoas para Cristo. Ela simboliza a luz que precede a grande Luz, que é Jesus Cristo.

 

Além disso, o fogo é um elemento de purificação e renovação. As fogueiras juninas, ao crepitar na noite, convidam à reunião em torno do calor e da luz, promovendo a união das comunidades em louvor e oração. É um momento de partilha, de dança e de celebração da vida, onde a fé se manifesta de forma vibrante e contagiante. A simbologia do fogo também remete ao batismo com o Espírito Santo e com fogo que João Batista profetizou que Jesus traria, indicando a ação purificadora e transformadora do Espírito na vida dos fiéis. A fumaça que sobe ao céu é vista por muitos como um sinal de que as orações e os pedidos estão sendo levados a Deus, fortalecendo a esperança e a devoção popular.


🕊 São João Batista no Cristianismo e no Islamismo: Um Profeta Universal

A figura de São João Batista transcende as fronteiras do cristianismo, sendo reconhecido e venerado também em outras grandes religiões monoteístas, como o islamismo. Essa universalidade de sua figura atesta a profundidade de sua mensagem e a importância de seu papel na história da salvação.

No Cristianismo: O Elias que Prepara o Caminho

No cristianismo, São João Batista é uma figura central, não apenas como o precursor de Jesus, mas também como um modelo de santidade, humildade e fidelidade à verdade. Ele é frequentemente associado ao profeta Elias do Antigo Testamento, conforme predito em Malaquias 4,5-6: “Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor”. Jesus mesmo confirmou essa conexão, afirmando que João era o Elias que havia de vir (Mt 11,14). Essa associação ressalta o papel de João como aquele que restauraria a fé e prepararia o povo para a chegada do Messias.

 

São João Batista é patrono de inúmeras igrejas, paróquias, dioceses e confrarias ao redor do mundo, o que demonstra a extensão de sua devoção. Sua vida austera e sua pregação incisiva continuam a inspirar os fiéis a buscar uma conversão sincera e a viver de acordo com os preceitos do Evangelho. Ele é lembrado por sua coragem em denunciar o pecado e por sua humildade em diminuir-se para que Cristo pudesse crescer, um exemplo perene para todos os cristãos.

No Islamismo: Yahya, o Profeta Puro

No islamismo, João Batista é conhecido como Yahya (João) e é reverenciado como um profeta de Deus. O Alcorão o menciona em diversas passagens, destacando sua pureza, sua sabedoria e sua devoção desde a infância. Ele é descrito como um dos profetas que veio antes de Jesus (Isa, no islamismo) para anunciar a mensagem de Deus e chamar as pessoas à retidão. O Alcorão enfatiza sua vida ascética e sua integridade moral, apresentando-o como um exemplo de virtude e obediência a Deus.

 

Apesar das diferenças teológicas entre o cristianismo e o islamismo, a figura de Yahya/João Batista serve como um ponto de convergência, um elo que une as duas tradições na veneração a um profeta que dedicou sua vida a Deus e à preparação da humanidade para a mensagem divina. Essa reverência compartilhada por João Batista sublinha a importância de seu legado como um mensageiro de Deus que apontou para a verdade e a retidão, independentemente da fé professada.


✨ Aspectos Devocionais e Práticas: Cultivando a Fé de São João Batista

A devoção a São João Batista se manifesta de diversas formas, desde a oração individual até práticas mais comunitárias, que buscam honrar sua memória e seguir seu exemplo de fé e penitência. Essas práticas são um convite à renovação espiritual e ao aprofundamento da relação com Deus.

Oração Tradicional: Um Clamor por Coragem e Renovação

A oração a São João Batista é uma forma de buscar sua intercessão e inspiração. A oração tradicional, frequentemente recitada pelos fiéis, reflete os principais aspectos de sua vida e missão:

 

“Ó glorioso São João Batista, modelo de penitência e coragem, inspirai-nos a deixar as zonas de conforto, a seguir com firmeza a Cristo. Que, pelo vosso exemplo e intercessão, sejamos renovados na fé e no amor. Amém.”

 

Esta oração sintetiza o legado de João: sua penitência, que o levou a uma vida de desapego e foco no essencial; sua coragem, manifestada na denúncia do pecado e na fidelidade à verdade, mesmo diante da morte; e seu papel como guia, que nos inspira a seguir a Cristo com determinação. Ao rezar, os fiéis pedem a graça de imitar essas virtudes, buscando uma vida mais alinhada com os ensinamentos de Jesus.

Meditações e Jejuns: Caminhos para a Conversão Interior

Além da oração, a Igreja propõe outras práticas devocionais inspiradas na vida de São João Batista, como a meditação e o jejum. O jejum, em particular, é uma prática antiga na tradição cristã, que visa a mortificação da carne para fortalecer o espírito e aprofundar a conversão. Jejuar em dias santos, especialmente em 24 de junho (dia de seu nascimento) e 29 de agosto (dia de seu martírio), é uma forma de se unir a João em sua atitude de penitência e arrependimento. Essa prática não se resume à abstinência de alimentos, mas também pode incluir a renúncia a outras formas de prazer ou distração, com o objetivo de focar mais em Deus e na própria espiritualidade.

 

A leitura e meditação do Evangelho, especialmente os capítulos 1 a 3 do Evangelho de João, são fundamentais para compreender a mensagem de arrependimento e graça que João Batista proclamou. Ao mergulhar nas escrituras, os fiéis podem aprofundar seu coração na mensagem do precursor, compreendendo a urgência da conversão e a alegria da salvação que Cristo oferece. A meditação sobre a vida de João, sua humildade em apontar para Jesus e sua coragem em testemunhar a verdade, serve como um poderoso estímulo para a própria jornada de fé.


🌍 Devoção no Brasil: O Coração Junino que Bate com a Fé Popular

A devoção a São João Batista no Brasil é um fenômeno cultural e religioso de proporções gigantescas, que se manifesta de forma mais exuberante nas festas juninas. Essas celebrações, que se espalham por todo o território nacional, mas encontram seu ápice no Nordeste, são um testemunho vivo da capacidade do povo brasileiro de integrar a fé católica com suas ricas tradições populares.

Capelas, Romarias e a Força da Comunidade

Em diversas cidades brasileiras, a presença de capelas e romarias dedicadas a São João é um indicativo da profunda devoção popular. Locais como Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, transformam-se em verdadeiros epicentros da festa junina, atraindo milhões de visitantes e devotos. Nessas romarias, a fé se manifesta em procissões, novenas, missas e cânticos, onde os fiéis expressam sua gratidão e fazem seus pedidos ao santo. A comunidade se une em torno da figura de João Batista, buscando sua intercessão e celebrando a vida em um ambiente de confraternização e alegria.

Fogueiras Acessas: Luz, Calor e Renovação

As fogueiras, elemento central das festas juninas, carregam um simbolismo profundo que remete à luz que João Batista representou ao anunciar a vinda de Cristo. A tradição de acender fogueiras na noite de 23 para 24 de junho é um convite à reflexão sobre a luz de Cristo que se aproxima e a necessidade de purificação interior. O calor da fogueira simboliza o fervor da fé e a união das famílias e comunidades que se reúnem ao seu redor para cantar, dançar e partilhar. É um momento de renovação das esperanças, de agradecimento pelas colheitas e de celebração da vida em comunidade.

Partilha de Pães e Alimentos: A Caridade em Ação

Inspirados na mensagem de João Batista, que exortava à partilha e à caridade (“Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo” – Lc 3,11), a distribuição de pães e alimentos é uma prática comum nas festas juninas e nas comunidades devotas a São João. Esse gesto de fraternidade e solidariedade reflete o espírito de desapego e generosidade que o precursor de Cristo pregava. É uma forma de colocar em prática os ensinamentos do Evangelho, promovendo a justiça social e o cuidado com o próximo, especialmente os mais necessitados. Essa prática não apenas honra a memória de São João Batista, mas também fortalece os laços comunitários e a vivência da fé no dia a dia.


✝ Morte Heroica: O Testemunho de Fidelidade à Verdade

A vida de São João Batista, dedicada inteiramente a Deus e à pregação da verdade, culminou em um martírio que o consagrou como um modelo de coragem e fidelidade. Sua morte não foi um fim trágico, mas o ápice de seu testemunho, reafirmando sua missão de apontar para a justiça e a retidão, mesmo diante da perseguição e da morte.

A Denúncia da Imoralidade e a Prisão

João Batista, com sua voz profética, não se calava diante da injustiça e da imoralidade, mesmo quando estas vinham de figuras de poder. Ele denunciou publicamente o rei Herodes Antipas por ter se casado com Herodias, esposa de seu irmão Filipe, o que era considerado uma violação da lei judaica (Mc 6,17-18). Essa denúncia corajosa, motivada pela defesa da verdade e da moralidade, irritou profundamente Herodias, que passou a nutrir um ódio mortal por João.

 

Como consequência de sua pregação incisiva e de sua denúncia, João foi preso por Herodes. Embora Herodes o respeitasse e gostasse de ouvi-lo, temia a influência de João sobre o povo e, ao mesmo tempo, estava preso às intrigas de sua corte, especialmente às maquinações de Herodias. A prisão de João Batista marcou o início de seu calvário, mas não silenciou sua voz, que continuava a ecoar na consciência de muitos.

O Martírio: Fidelidade até o Fim

O desfecho da vida de João Batista é um dos episódios mais dramáticos e comoventes dos Evangelhos. Durante uma festa de aniversário de Herodes, a filha de Herodias, Salomé, dançou de forma a agradar o rei, que, em um momento de euforia e imprudência, prometeu-lhe o que ela quisesse, até metade de seu reino. Instigada por sua mãe, Salomé pediu a cabeça de João Batista em uma bandeja. Herodes, embora relutante e entristecido, sentiu-se obrigado a cumprir sua promessa por causa de seus convidados e de seu juramento (Mc 6,21-28).

 

Assim, João Batista foi decapitado na prisão, e sua cabeça foi entregue a Salomé. Seu martírio, celebrado em 29 de agosto, é um lembrete poderoso do preço da fidelidade à verdade e da coragem de testemunhar o Evangelho. João não se curvou diante do poder ou da ameaça, mantendo-se firme em sua missão até o último suspiro. Ele se tornou, assim, um modelo de integridade e de entrega total a Deus, inspirando gerações de cristãos a permanecerem fiéis aos seus princípios, mesmo diante das maiores adversidades. Sua morte heroica é um testemunho de que a voz da verdade, mesmo silenciada pela violência, ecoa eternamente e continua a clamar por justiça e retidão.


💬 São João Batista, o Eterno Chamado à Conversão

São João Batista é muito mais do que o santo das festas juninas; ele é uma figura monumental na história da salvação, um profeta cuja vida e mensagem continuam a ressoar com urgência e relevância para os nossos dias. Sua missão, de preparar o caminho para o Senhor, não se encerrou com sua morte, mas se perpetua através de seu exemplo e de sua intercessão. Ele nos convida a uma constante conversão, a endireitar as veredas de nossos corações para que Cristo possa neles habitar plenamente.

 

Ao celebrarmos São João Batista, somos desafiados a acender em nós a fogueira da fé, aquela chama que arde e ilumina, dissipando as trevas do pecado e da indiferença. Somos chamados a ser vozes que clamam no deserto do mundo contemporâneo, apontando para Jesus, o verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Que a coragem de João em defender a verdade, sua humildade em diminuir-se para que Cristo crescesse, e sua vida de penitência e oração nos inspirem a uma vivência mais autêntica e radical do Evangelho.

 

Que suas palavras, “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”, sejam um guia para nossa jornada espiritual, impulsionando-nos a uma busca incessante pela santidade e a um testemunho fiel do amor de Deus em todas as circunstâncias de nossa vida. São João Batista, rogai por nós!


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